reproduzindo  desde: http://www.forumclimabr.org.br/noticia184.htm .       Nov,02,2001.
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Estudos mostram incertezas sobre o aquecimento global


Folha de S.Paulo

Para quem ainda se preocupa com o aquecimento global em tempos de guerra, dois estudos divulgados nesta semana trazem uma notícia boa e uma má. A boa é que a temperatura do planeta pode não subir tanto quanto alguns modelos prevêem. A má é que uma das soluções imaginadas para mitigar o problema causaria um desastre ambiental.

O primeiro estudo foi publicado anteontem na revista britânica "Nature" (www.nature.com) por um trio de pesquisadores liderado pelo biólogo Yiqi Luo, da Universidade de Oklahoma, EUA. Eles afirmam que, pelo menos em um ecossistema específico -as pradarias do Estado de Oklahoma-, plantas e animais do solo podem se aclimatar com facilidade ao aumento da temperatura.

A reação do solo ao aquecimento global é uma preocupação dos cientistas. Com o aumento da temperatura, as raízes das plantas e os animais aumentariam a taxa de respiração -mecanismo pelo qual o oxigênio é retirado do ar e o gás carbônico (CO2) é liberado.

Como o CO2 é o principal responsável pelo efeito estufa, uma maior taxa de respiração do solo corresponderia a uma liberação maciça de gás carbônico no ar, com consequências desastrosas para o clima. Um modelo desenvolvido no ano passado pelo norte-americano Paul Cox previa, em decorrência da resposta do solo, um aumento de 8ºC na temperatura terrestre em 2100. A cada 10ºC de temperatura a mais, a taxa de respiração deveria dobrar.

Para testar a previsão catastrófica, Luo e seus colegas usaram lâmpadas de infravermelho para aquecer em 2ºC várias porções de pradaria num período de um ano.

No final do experimento, perceberam que a taxa de respiração -cujo aumento esperado era de 20%- não ficou muito diferente da de lotes que não sofreram nenhum aquecimento.

Os autores atribuem essa redução a um mecanismo de "aclimatação" rápida do solo, que reduz a sensibilidade do ecossistema a subidas no termômetro. Eles dizem ainda não saber direito por que isso acontece, mas acreditam que a secura causada pelo aquecimento possa reduzir a atividade das raízes e dos micróbios do solo.

Em comentário ao estudo na "Nature", Lindsey Rustad, da Universidade do Maine, afirma que estudos anteriores, que mostravam aumento na taxa de respiração, não haviam observado a reação do ecossistema a longo prazo. "Extrapolar a partir dos efeitos de curto prazo pode dar uma impressão errada", disse.

Em outro estudo, publicado na "Science" (www.sciencemag.org), uma dupla de oceanógrafos americanos joga areia em uma das soluções mais criativas já imaginadas para retirar da atmosfera o excesso do gás carbônico produzido pela queima de combustíveis fósseis: o bombeamento para o fundo do oceano.

Esse "sequestro" oceânico é defendido como uma alternativa barata à substituição do modelo energético dos países ricos. Com uma tecnologia barata, é possível capturar o CO2 e bombeá-lo em grandes profundidades.

Mares mais ácidos

O problema é que ninguém perguntou aos peixes o que eles achavam disso. Brad Seibel e Patrick Walsh descobriram que eles não iriam gostar.

O gás carbônico retirado da atmosfera provocaria uma alteração no pH da água do mar, deixando-a um pouco mais ácida. Animais de águas mais rasas reagem bem a essa mudança. Mas os animais que vivem a grandes profundidades têm um metabolismo até mil vezes mais lento do que os da superfície. Segundo os americanos, uma maior acidez teria um efeito amplificado sobre o sistema respiratório desses animais, reduzindo sua capacidade de eliminar gás carbônico. Em outras palavras, eles morreriam asfixiados.

"Precisamos de mais estudos para avaliar a extensão do bombeamento de CO2 e prever suas consequências no ecossistema", afirma Seibel.